É POR ESTAS E POR OUTRAS...

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Quinta-feira, 31 / 03 / 11

Espera...Estou a beber!

Meus avós maternos, Maria e Manuel, viviam em Coimbra, mas mantinham a casa em Condeixa-a Velha e os haveres também...e davam inicio à construção da casa de Condeixa-a-Nova.

Tinham tomado a opção de ir para Coimbra por causa dos estudos dos filhos - Mª.do Carmo, Mª.do Rosário, Benjamim e Manuel.

A casa, na couraça dos Apóstolos, em  plena Alta, para ajudar às despesas tornou-se em casa de hóspedes, estudantes universitários.

Um ilustre hóspede, tornado amigo, foi o Senhor Dr.Almeida Santos, hoje ainda figura política de Estado.

Bem. Quando eu tinha cerca de 4 anos fui passar uns dias a casa da avó. Minha mãe foi ajudar em qualquer tarefa e eu, pequenita lá ia ocupando o tempo como podia, de volta da empregada Melânia.

Uma manhã, a minha mãe, de volta do almoço para os hóspedes, precisou de vinha branco para temperar o petisco.

Com a empregada ocupada, e a taberna do outro lado da estreita rua, sem carros que oferecessem perigo, foi à janela  no 1º.andar, chamou o taberneiro pelo nome e informou-o que me ía mandar lá com a garrafa para encher de vinho branco.

Orgulhosa do mandato, desci as escadas, cumpri a tarefa mas...nunca mais aparecia de volta!

Minha mãe achou estranho, voltou à janela para saber de mim e eu...tinha desaparecido com o precioso liquido...

Aflita e para começar a procurar, quando vai a sair para a rua, olha para o fundo da escada e...estava eu, bem sentada e acomodada com a garrafa à boca!

- Belinha! Que estás a fazer?

eu...senhora do meu nariz e querendo aproveitar bem o momento respondi peremptória:

- Espera! Estou a beber!

 

Desta...lembro-me eu...

publicado por ivaio às 09:33
Quarta-feira, 02 / 03 / 11

Alto lá !!!...

Outra anedota (?) que meu pai contava em momentos de humor, para brincar com as palavras...

Na taberna da aldeia, em serão animado com copos e uma concertina, juntavam-se os rapazotes para ver quem chegava às boas com a filha do taberneiro...

Entre gargalhadas e danças, a rapariga passava de um para o outro, até que o zeloso pai se apercebeu que alguém se estava a passar das medidas!

Dois murros no balcão e diz em voz firme:

- Alto lá e pára a dança! Quem é que apalpou as mamas à minha filha?

A concertina calou-se e o "frangote", aflito, diz a medo:

- Fui eu, senhor João...

Nisto, o zeloso pai, certificando-se que o abusador era um bom partido p´rá menina, diz risonho e peremptório:

- Siga a dança, que isto é gente de confiança!

E o baile continuou...e o resto também...(digo eu...)

publicado por ivaio às 15:30
Quinta-feira, 17 / 02 / 11

O Santo da Quinta da Regada

O Senhor António era um homem rude mas de muito bom coração. Incapaz de querer mal a alguém não era, contudo, um homem popular...

Sorumbático, metido consigo, um pensador...

Igreja...Missa? Isso é para quem precisa...e nunca lá ía...

 

Num dia de verão, enquanto esperava pela chamada para o almoço, sentada num muro da Quinta e à  conversa com o Padre da aldeia, avistei o senhor António que se aproximava,  descendo a serra no seu cociolo...

 

E o Padre disse-me:

"Ali vem um Santo, que não vai à Missa!".

publicado por ivaio às 16:02
Quinta-feira, 03 / 02 / 11

Dizer ou Suponhir?

Penso que todos temos alguém "preferido" na nossa família...

Eu tinha uma tia "preferida"...

Deliciava-me a ouvir-lhe histórias e adorava o seu jeito opinioso de ser elegante e moderna sem ser escrava da moda.

Bem, dos tempos em que viveu em Moçambique, contava um episódio que alimentava a mnha imaginação de criança ...

Jovem e bonita esposa do tio Henrique, estava a viver um conto de fadas... e, verdade ou fantasia, contava que , era também desejada pelos jovens que trabalhavam lá em casa...e dizia que:

 

Um dia, o marido, apercebeu-se que alguém favava na sua salinha de estar...

Intrigado, aproximou-se da porta entreaberta e , antes de entrar, tentou aperceber-se quem era a visita...

Qual quê...

O jovem negro, que tinha a tarefa das limpezas, estava confortavelmente sentado num cadeirão, de perna traçada e relaxado, pensando em voz alta:

"Um dia, se meu patrão morreria, com a senhora eu casaria. Vinha a criada e dizia:

- Sinhô, quer café ou chá?

E eu diria:

- Maria, trás chá!!!"

Aí, o patrão, antes que os sonhos se adiantassem entrou de rompante e perguntou-lhe:

- Ouve lá...o que é que estás a dizer?

E o pobre rapaz, aflito e sem saber onde se havia de meter:

- Sinhô...eu não dizia! Suponhia!

 

publicado por ivaio às 10:05
Segunda-feira, 24 / 01 / 11

Liberdade ou Manipulação?

Claro que há MUITAS diferenças entre o antes e o pós 25 de Abril, mas há muita "saudade" no ar desses tempos de obscurantismo e medo!

Confirmei-o na campanha eleitoral da qual foi reeleito Cavaco Silva, por menos de 25% dos eleitores e por força dum discurso (?) manipulador...

 

Por via disto, lembrei-me de um episódio que testemunhei, em 1966 ou 67, em Coimbra.

Américo Tomás era Pesidente da República e deslocou-se a Coimbra, em combóio especial, inaugurar um Bairro Social.

Geralmente ele apresentava-se com a farda de allmirante da Marinha...fato escuro e boné. Por acaso era uma farda muito semelhante à dos chefes das estações de combóio.

Até aqui...nada de especial.

 

Naqueles anos, ainda não havia distribuição de leite em garrafas. O precioso líquido chegáva-nos à porta de casa, diariamente, transportado pelos leiteiros. Bem cedo, o senhor António chegava com um carrinho com algumas vazilhas de alumínio com o leite a baloiçar e as medidas de 1/4, 1/2 e 1 litro e assim ía deixando o nosso pequeno almoço mais enriquecido.

 

Ora, no dia a seguir à visita do Presidente da República o senhor António não apareceu e eu...não bebi leite antes de ir para o Liceu.

 

No outro dia, lá regressou e a minha mãe, preocupada com a ausência da véspera,  questionou-o.

 

- Ó minha senhora! Dormi na esquadra!

- Porquê?

- Olhe: fui, como tanta gente à Estação Nova ver  a chegada do Américo Tomás e, quando o vi, disse: " O  Gajo parece o chefe da estação!". Fui logo preso! Um bufo estava perto e levou-me logo preso! Passei a noite na esquadra a responder a perguntas!

(apenas por um comentário inocente pela semelhança das figuras!)

 

Nunca me esqueci deste episódio.

E não pactuo com discursos manipuladores que mais não pretendem que "alimentar" saudades dos tempos da Outra Senhora

 

 

publicado por ivaio às 19:45
Segunda-feira, 10 / 01 / 11

Doméstica, sim...mas...

Lá pela década de 60, no tempo da outra senhora, quando os valores familiares se alicerçavam ainda muito no exercício da autoridade masculina, minha mãe, que sempre foi uma mulher emancipada e bastante independente, contava um episódio que lhe tinha acontecido no serviço público em que exerceu funções.

 

Apresentou-se para ser atendida uma senhora, de aspecto humilde e muito calada. Ao lado, o marido...protector.

Para preencher a ficha de identificação necessária, minha mãe foi fazendo perguntas, às quais o marido se apressava a responder, e quando chegou ao ítem sobre a profissão da senhora, como lhe pareceu ter á sua frente uma "dona de casa", perguntou:

 

- "É doméstica?"

 

O marido, ufano da sua obra, afirmou com prontidão:

 

- É sim minha senhora, mas teve que levar muita pancada para ficar doméstica!

 

Minha mãe ficou sem palavras...

publicado por ivaio às 16:29
Segunda-feira, 03 / 01 / 11

O Mistério da Rádio

Em 1948, meus pais já tinham um aparelho de rádio. Ainda me lembro dele por parecer mais um qualquer aparelho de  laboratório...tipo amperímetro...

Era em metal, cor de chumbo e tinha um pequeno visor ao centro. Marca?...Acho que era de origem militar...

Bem. Isto para dizer que na aldeia onde eu nasci, era à data, quase uma coisa do outro mundo...e do fim da 2ª.Grande Guerra!

Uma caixa tão feia de onde saía música tão bonita?

A dita cuja, fazia as delícias de um jovem seminarista - o meu querido e saudoso Padre Arnaldo - que atravessava a rua a toda a hora para saber das notícias e ouvir música e também as delicias da senhora Amélia Mendes!

A bondosa senhora, espantada com o milagre do som que nascia daquele aparelhómetro esquisito, na sua inocência perante as maravilhas da técnica, pedia encantada ao jovem, pensando que bastava pedir e a música surgia...escolhendo mesmo o estilo!

- Ah Arnaldo...toca lá outra valsa!!!

E explicar-lhe que a música não era à vontade do freguês?

publicado por ivaio às 19:11
Segunda-feira, 27 / 12 / 10

Tarde, Mal e Porcamente...

Quando meu Avô paterno rondava os 40 anos, tinha um amigo, também quarentão que não se preocupava em arranjar mulher...

Era um Bon-Vivant à época e a vida fluía sem preocupações...

Minha mãe, já espigadota, ouvia os conselhos que meu Avô dava ao amigo, sobre os benefícios de ter uma família, mulher e filhos, mas como a vontade era pouca, meu Avô, terminava o discurso dizendo sempre:

- Pois sim! Deixa-te andar! Um dia, se alguém te quiser,  há-de ser tarde, mal e porcamente!

 

De facto, passados largos anos,   pela tardinha de um dia de semana, passou um pequeno cortejo a caminho da Igreja, sendo que a noiva ía de burro.

E quem era? Não é difícil adivinhar...

 

Minha Mãe ainda hoje sorri, quando relembra que, a noiva que o Bon-Vivant conseguiu arranjar, reunia os requisitos que o meu Avô enumerava!

Além de bem descriada era defeituosa de uma perna, pois ao ajoelhar  para a cerimónia,  esticava a perna de lado, ficando distante do noivo mais de um metro!

Tarde, mal e porcamente...

publicado por ivaio às 21:23
Quinta-feira, 18 / 11 / 10

O Sacristão de Condeixa-a-Velha

Minha Mãe conta que em criança lhe ficou na memória um episódio a que assistiu na Igreja de Condeixa-a-Velha, na véspera de um Natal.

Sabendo que naquele dia, o Sacristão ía "fazer" o Presépio, a criançada não resistia à magia e encantamento da ocasião e assistia fascinada à criação da obra que,com certeza, seria artística!

Tudo correu bem e, para concluir os trabalhos, apenas faltava deitar o Menino Jesus nas palhinhas da manjedoura.

Então, perante os olhitos brilhantes das crianças presentes, o Sacristão, cuidadosamente colocou o Menino na sua "caminha".

Como o passo seguinte seria abandonar o local e o Menino ao escuro da Igreja, de que, por desventura teria medo, disse-Lhe, colocando o indicador nos lábios:

- "Vá, e agora não chore, porque mama, não há!"

 

Minha Mãe nunca mais se esqueceu...e ainda aos 90 anos relembra este episódio com graça...

 

 

publicado por ivaio às 22:22
Quinta-feira, 11 / 11 / 10

Cada um...é...

Sempre amei muito a minha Avó paterna! E continuo a guardá-la, carinhosamente, no meu coração, mesmo depois de ter partido há tantos anos!

Pois quando eu era criança, a fartura andava por vezes longe...

Se visitava a minha querida Avó, e ela não estava "prevenida" querendo mimar-me,  dáva-me uma moeda de 10 tostões (ou 1 escudo, lembram-se?)

e lá ía eu à mercearia que ficava em frente, a da Carma Macia.

Ía comprar uma fatia de marmelada para rechear um pão...

A dita era retidada com uma faca de uma caixa de madeira, forrada a papel vegetal e depois pesada, talvez num pouco de papel pardo...que saudades...

Bem, o recordar deste episódio foi apenas para falar da Carma Macia.

Tenho uma vaga ideia de que era uma senhora redondinha e baixa,  por detrás do balcão da mercearia.

De personalidade forte, tinha a sua filosofia de vida!

Remoendo pensamentos e estudando o ser humano rematava conversas sobre este e aquele com uma frase, diria eu, lapidar:

 

"Cada um é como a puta que o pariu!"

 

E não é que tinha razão?

publicado por ivaio às 12:25
Histórias da minha infância...que continuam a alimentar a minha vida...

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